Lula provoca Trump, acusa EUA de atuar no golpe de 1964 e reforça substituição ao dólar
- Folha de Jaraguá

- 4 de ago.
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04/08/2025 (08hs33m) - Durante o 17º Encontro Nacional do Partido dos Trabalhadores, realizado neste sábado (3) em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que os Estados Unidos “ajudaram a dar um golpe” no Brasil, em referência ao golpe militar de 1964. A declaração ocorre em meio à crescente tensão diplomática com o governo norte-americano, que recentemente impôs uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros.
Lula destacou a importância das relações bilaterais com os EUA, que já duram 201 anos, mas reforçou que o Brasil “não pode ser submisso” e precisa se posicionar com soberania diante do cenário internacional. “Eu não esqueço que os EUA ajudaram a dar um golpe aqui no Brasil. O Brasil não é uma republiqueta”, afirmou o presidente, diante da plateia petista.
Em sua fala, o presidente voltou a defender a substituição do dólar em transações comerciais internacionais. Segundo ele, o Brasil tem condições de adotar alternativas monetárias mais favoráveis aos seus interesses, retomando debates sobre uma moeda comum entre países do Sul Global, como discutido no âmbito do BRICS. “Não precisamos ficar subordinados ao dólar. Temos capacidade de negociar com outras moedas e com outros blocos econômicos”, declarou.
A declaração ocorre poucos dias após os Estados Unidos anunciarem a aplicação de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, medida prevista para entrar em vigor em 1º de agosto. Lula classificou a medida como uma “chantagem inaceitável” e prometeu retaliações. Segundo o presidente, o governo brasileiro prepara ações com base na Lei da Reciprocidade Comercial e pode recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC), caso não haja um acordo justo.
A crise comercial é reflexo das tensões entre os dois países desde o retorno de Donald Trump à presidência dos EUA, em janeiro de 2025. O republicano tem adotado uma política protecionista e tem criticado decisões judiciais brasileiras, especialmente após o avanço de investigações envolvendo Jair Bolsonaro.
Em resposta, Lula tem endurecido o discurso e reforçado a posição do Brasil como uma potência regional que exige tratamento diplomático equilibrado. “Nós queremos respeito. O Brasil tem autonomia política, econômica e moral para se posicionar”, disse.
A fala do presidente foi bem recebida pela base do partido e reforça a linha de enfrentamento adotada por seu governo diante de pressões externas, sobretudo em temas ligados à soberania nacional, política comercial e integração global.

















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