• Folha de Jaraguá

Igreja Universal é condenada a devolver 200 mil a fiel que queria “lugar no céu”

23/03/2022 (15hs46m) - Uma fiel da Igreja Universal afirmou ter sido coagida a doar enormes quantias de dinheiro para ter “um lugar no céu”. Agora, de acordo com Rogério Gentile, colunista do UOL, a Justiça de São Paulo determinou que a instituição religiosa devolva cerca de R$ 200 mil que haviam sido dados pela mulher, identificada apenas como F.S., de 53 anos.


Segundo o relato de F.S., tudo começou em 1999, quando recorreu à igreja em busca de orientação durante um período de muitos problemas pessoais. Com o passar dos anos, ela disse ter comparecido rigorosamente em todas as práticas religiosas, além de ter feito sacrifícios financeiros e as ofertas solicitadas. A professora afirmou que as maiores doações teriam acontecido entre dezembro de 2017 e junho de 2018, quando teria repassado R$ 204,5 mil à Universal.


F.S. contou que os valores eram suas economias após 30 anos de trabalho – atualmente, ela declarou que recebe R$ 1.500 por mês. A professora relatou que sempre se sentia em falta com a igreja, e que os líderes religiosos atribuíram a recompensa divina à entrega do dinheiro. “F.S. realizou as doações porque tinha convicção de que apenas se sacrificando agradaria a Deus e teria a sua bênção”, explicou a defensora pública Yasmin Pestana. A representante da fiel ainda argumentou que a coação poderia existir ao criar-se um “temor” na vítima.


Em sua sentença, o juiz Carlos Bottcher entendeu que F.S. foi vítima de coação. “Considerando as pressões psicológicas empreendidas pelos membros da organização religiosa para realização das ofertas”, observou o magistrado. Segundo ele, o Código Civil atesta que são nulas as doações da totalidade dos bens de uma pessoa, de modo a afetar a sua subsistência ou que prejudique o direito dos herdeiros.


Com isso, o juiz condenou a Igreja Universal a devolver a quantia dos R$ 204,5 mil, mais um acréscimo referente à correção monetária e juros desde as datas em que as doações foram realizadas. No entanto, a igreja ainda pode recorrer da decisão.



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