Em entrevista a jornal, médico descreve o drama das perdas por Covid-19 em Jaraguá
Atualizado: 28 de fev. de 2021
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22/02/2021 (08hs01m) - O médico de Jaraguá, Breno Leite, foi destaque na capa do principal jornal do Estado, O Popular, infelizmente para falar sobre a situação dramática que vive o município, ele falou sobre as dezenas de atendimentos no HEJA e sobre algumas das vítimas fatais da Covid-19 em fez homenagens a elas em suas redes sociais. Breno Leite vive na cidade há 15 anos e tem se deparado com pacientes amigos e conhecidos, infectados pelo coronavírus, onde a rede pública de Saúde esta “sufocada” por causa da pandemia.
Breno usa suas redes sociais para informar a população sobre a Covid-19 e homenagear os pacientes que partiram. Como coordenador do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) de Jaraguá e trabalhando no atendimento do pronto-socorro do Hospital Estadual de Jaraguá (HEJA), Breno vê de perto o drama do aumento de pacientes graves e da luta por uma vaga de internação.
Experiência própria “Eu sobrevivi à Covid (em agosto de 2020), por isso me sensibilizo muito com a dor dos pacientes e dos familiares. Eu vi as lágrimas da minha esposa, por videochamada, no dia que informei para ela que estava indo para a UTI do Anis Rassi, porque meu pulmão estava muito comprometido. Eu já tinha perdido dois colegas (médicos). Na hora, eu pensei: ‘Por que estou achando que sou melhor que os outros e vou sobreviver? Eu também vou morrer.”
“O dia que eu fui ser internado em Goiânia, com o coronavírus, era aniversário do meu filho de 16 anos no outro dia. Eu sabia que estava positivo, mas eu falei para ele: ‘Filho, vem cá dar um abraço no seu pai’. Pensei que talvez seria o último abraço nele. Então, na hora que vou encaminhar um paciente e o coloco dentro da ambulância, eu vejo o filho de longe se despedir: ‘Tchau pai, vai com Deus, vai sarar’. Eu fico com aquela esperança de que ele vai sarar igual eu sarei.”
“Uma coisa é você dar uma notícia (de morte) para uma pessoa que não faz parte do seu dia a dia. Outra coisa é você falar para o filho da Dona Nilsa, que trabalhou na recepção do hospital por muito tempo; que na festa de fim de ano da Saúde de Jaraguá estava presente; que quando o filho adoecia, levava para a gente atender. Ter que dar a notícia que aquela mãe jovem, de 50 anos, faleceu de coronavírus.”
“Você vê que a letalidade desse vírus, ou dessa nova variante, tem uma capacidade de nos deixar impotentes. De nos deixar assim: ‘Poxa, nós fizemos tudo, mas mesmo assim não obtivemos sucesso’. Da mesma forma que você faz isso, já tem outro colega, já tem outra pessoa, já tem o cara da rádio, já tem o vizinho, o ex-porteiro da Câmara. Você vai perdendo uma cadeia de amigos, de pessoas que são de convívio comunitário intenso.” A reportagem completa esta no site do jornal O Popular.














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