Com voto de Moraes, STF tem maioria para derrubar prorrogação de CPMI que investiga fraudes do INSS.
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26/03/2026 (16hs52m) - Com duras críticas a vazamento de informações, o plenário do STF (Supremo Tribunal Federal) formou maioria de seis votos a dois nesta tarde para derrubar a decisão do ministro André Mendonça que determinou a prorrogação da CPMI do INSS. Os trabalhos da comissão devem se encerrar no sábado.
Plenário já tem votos suficientes para derrubar a liminar de Mendonça.

Seis ministros entenderam que não cabe ao STF interferir na decisão de prorrogar ou não os trabalhos de comissões parlamentares e que as CPIs devem ter prazo determinado para acabar. Mendonça havia atendido a um pedido de representantes da CPMI do INSS que acusaram de omissão o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Apenas o ministro Luiz Fux votou com Mendonça. Ele entendeu que o adiamento deveria ser concedido diante da perspectiva de encerrar os trabalhos da comissão no próximo sábado —o que, para o ministro, representaria uma "clara violação do direito subjetivo dos parlamentares impetrantes".
Sessão foi marcada por críticas a vazamentos e pedidos de quebras de sigilo feitos nas duas comissões em andamento hoje no Congresso. Ministros lembraram que somente a CPMI do INSS aprovou mais de mil quebras de sigilo. Também criticaram pedidos de quebras de sigilo bancário sem embasamento necessário, além dos recentes vazamentos de mensagens íntimas do banqueiro Daniel Vorcaro com sua namorada.
Gilmar Mendes, decano do tribunal, foi o ministro que mais se exaltou. Ele pediu a palavra durante o voto de Flávio Dino e chegou a se dirigir aos parlamentares presentes no plenário para afirmar que eles sabiam que é ilegal pedir quebras de sigilo sem embasamento necessário e atribuiu às comissões os vazamentos de informações sigilosas, o que classificou de "abecedário de abusos".
Flávio Dino foi o primeiro a discordar. Ele foi seguido pelos ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Kássio Nunes Marques, Dias Toffoli e Cármen Lúcia.
Dino afirmou a função do Poder Legislativo de realizar investigações é "atípica" e está limitada ao que prevê a Constituição. Ele afirmou que as comissões parlamentares devem ter prazo definido, por isso, como nos inquéritos policiais, não há prorrogação automática das investigações, que precisam de autorização da Justiça
Alexandre de Moraes afirmou que comissão chegou a criar link para vazar documentos à imprensa. Ele disse que a comissão se desvirtuou e que estaria querendo uma "prorrogação automática do desvirtuamento absolutamente inconstitucional". Ministro ainda apontou que Mendonça teria interpretado regimentos da Câmara, do Senado e do Congresso em sua decisão e que o STF já tem precedente no sentido de que não cabe à corte interpretar regimentos internos de outros poderes.








