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Polícia pede autorização ao STF para investigar Jovair Arantes em esquema de vagas em concursos

De acordo com o Jornal O Popular, diante da citação de cinco nomes que seriam ligados a ele no relatório final do inquérito da Polícia Civil de Goiás que apurou a venda de vagas em concurso público para delegado no Estado, o deputado federal goiano Jovair Arantes (PTB) diz que “não tem uma bolinha de cristal para saber se pessoas conhecidas e que têm sua simpatia vão fazer o mal”.

 

Em entrevista à CBN Goiânia, o parlamentar afirmou não ter relação com as denúncias e que é “um absurdo” a forma como houve a divulgação. O Estadão revelou que a polícia pedirá autorização do Supremo Tribunal Federal para investigar possíveis ligações do deputado com o esquema.

 

Um dos líderes da fraude, segundo o inquérito presidido pelos delegados Rômulo Figueredo de Matos e André Augusto Bottesine Jorge, é o médico Antônio Carlos da Silva Francisco, que trabalhou no gabinete de Jovair. Antônio Carlos foi indiciado com outras 29 pessoas. O deputado afirma que ele foi seu funcionário há “oito, dez anos”. “Ele foi demitido inclusive por condutas que achamos inadequadas”, disse.

 

Apesar disso, o relatório da polícia afirma que Antônio Carlos é sócio do irmão de Jovair - Ebraim Oliveira Arantes - em empresas nas quais foram feitas movimentações financeiras suspeitas e relacionadas ao esquema de fraudes em concursos. Também aparece em “relações comerciais e financeiras” com Antônio Carlos o advogado e pecuarista Evangevaldo Moreira dos Santos, que já trabalhou com Jovair e foi indicado por ele para cargos nos governos federal - presidência da Companhia de Abastecimento (Conab), da qual foi afastado por denúncias de corrupção - e estadual.

 

“Foram detectadas movimentações imobiliárias/comerciais suspeitas entre Antônio Carlos e as pessoas de Ebraim Oliveira Arantes e Evangevaldo Moreira dos Santos”, diz o inquérito. O nome de Evangevaldo aparece em lista apreendida na residência de Antônio Carlos, em que constam candidatos beneficiados pela fraude do concurso. Os delegados apontam suspeita de que ele tenha aliciado algum dos inscritos.

 

Em outro trecho, os delegados informam que Fábio Junior das Neves, um dos dezesseis candidatos que compraram vagas, ligou para uma pessoa identificada como Heber no dia 14 de março, logo após a prisão em flagrante delito de alguns envolvidos na fraude.

 

De acordo com o inquérito, Heber é assessor de Jovair e recebeu pedido de uma reunião com o parlamentar. “Verificou-se, posteriormente, que o número utilizado pelo assessor Heber entrou em contato com o aliciador Antônio Carlos, que já trabalhou com esse deputado federal. Tal fato comprova a ligação indireta entre o aludido candidato e o aliciador, o que não foi investigado diante do envolvimento direto de um ocupante de cargo detentor de foro privilegiado.”

 

Tentáculos

 

O inquérito, que quebrou sigilos telefônicos e bancários de envolvidos, aponta que, “em outras ligações, Fábio Junior aparenta ter proximidade com um conselheiro do TCE (Tribunal de Contas do Estado) e marca uma reunião com este, supostamente, para obter informações acerca da investigação e solicitar apoio”. O relatório não cita o nome nem o telefone do conselheiro. A reportagem tentou obter informação com os delegados, mas não houve resposta.

 

O inquérito também cita o nome do advogado Ruy Cruvinel Neto como filiado ao PTB e ligado a Jovair, apesar de apontar apenas a amizade em rede social como demonstrativo da conexão. Segundo o inquérito, Ruy, que aparece em folha apreendida na casa de Antônio Carlos, é “ligado a diversas casas de jogos e em 2006 foi preso pela Policia Federal durante operação que estourou o cassino Palomino Club Diversões, oportunidade em que confessou ser sócio na exploração de jogos de azar do bicheiro Carlos Augusto Ramos de Oliveira, o Carlinhos Cachoeira”.

 

Ele é suspeito de ter aliciado candidatos. Ruy disse em depoimento que Antônio Carlos lhe ofereceu duas vagas no concurso de delegado, mas recusou. Jovair, que foi relator do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) na Câmara no ano passado, diz que a polícia goiana não precisa pedir autorização ao Supremo para investigá-lo. “Podem me investigar pessoalmente. Se quiser eu assino qualquer documento para fazerem investigação.

 

A Polícia Civil colocou de uma forma absolutamente pejorativa tentando me atingir... Não sei qual o objetivo do delegado. Pode me chamar que eu vou lá e converso. É uma coisa deplorável da forma que foi feito. Eu não posso permitir, não posso aceitar”, afirmou. Ele diz que não tem funcionário e não conhece Heber - cujo sobrenome não é citado no inquérito - nem Fábio.

 

Além do concurso para delegado substituto de Goiás, realizado pelo Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe) e Secretaria de Gestão e Planejamento do Estado de Goiás, a organização atuou em diversas seleções por todo País, incluindo vestibulares e casos de venda de diplomas falsos.

 

Aliciador diz que teme por sua vida

 

Interrogado pela Polícia Civil sobre quem seriam os envolvidas na aprovação dos candidatos mediante fraude, o médico Antônio Carlos da Silva Francisco disse que “se tratam de pessoas muito perigosas e que teme por sua vida”. Antônio é apontado como um dos líderes da organização criminosa. No depoimento, ele diz ter ajudado um deles por relação de amizade e que não cobrou nada e negou ter beneficiado os demais.

 

O Ministério Público de Goiás deve concluir a denúncia nesta quinta-feira (30), segundo informações do gabinete do promotor Mozart Brum. O inquérito policial foi encaminhado ao Judiciário em 10 de novembro e seguiu para o MP no dia 22.

 

Ao total, 30 pessoas foram indiciadas pela polícia. São apontados como membros da quadrilha, além de Antônio, Ricardo Silva do Nascimento (funcionário do Cebraspe responsável direto pelas fraudes nos cartões); Weverson Vinicius da Silva; Ronaldo Rabelo de Souza; Gabriel Ribeiro de Araujo; Hélio Garcia Ortiz; José Rosa Junior e Antonio Alves Filho. Os candidatos indiciados foram Hélio Pedro Carvalho Filho; Magno Marra Mendes; Fabio Alves de Oliveira; Godric Goncalves Gomes Lima; Tasso Mendonca de Siqueira; Golbery Goncalves Gomes Lima; Armando Colodeto Junior; Ailton Rodrigues Moreira Junior; Flavio de Souza Cameiro; Suzane Fonseca dos Santos; Simone Marques Rassi; Fabio Junior das Neves; José Deusimar Jorge de Oliveira e Bianca Soares de Oliveira e Oliveira.

 

Já no grupo de demais investigados indiciados estão Roberto Moreira dos Anjos Neto; José Augusto Moreira dos Anjos; Hyllara Queiroz Caldeira Brant; Pedro Marcio Mundim (advogado e pai do candidato Tasso); Flavio César Teixeira; Claiton Ferreira de Lima; Maria Gorete de Melo e Katia Maria Alves Rezende Rabelo.

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