Facções tiveram receita de 56 bi, maior que a da Ambev com bebida falsificada
18/12/2024 (11hs34m) - O crime organizado movimentou R$ 56,9 bilhões em 2022 com a fabricação de bebidas falsificadas, de acordo com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O montante ultrapassou o faturamento da Ambev, maior cervejaria do Brasil, que obteve R$ 42,6 bilhões no mesmo período, mesmo incluindo produtos não alcoólicos.
A estimativa do FBSP se baseia em dados da empresa Euromonitor Internacional, que aponta que 25,7% do mercado de bebidas no Brasil operam de forma ilegal. Para chegar ao cálculo, foi utilizada a produção oficial do setor, conforme registrado na Pesquisa Industrial Anual do IBGE.
Grupos criminosos como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho estariam à frente da produção de bebidas falsificadas, segundo o relatório. A prática ilegal também acarretou uma perda de R$ 52,9 bilhões em arrecadação de impostos para o governo, conforme levantamento da Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF).
Os números foram apresentados nesta sexta-feira (6) ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, durante um encontro que teve como objetivo entregar um relatório sobre a dimensão da economia ilegal no Brasil.
No evento, o presidente do FBSP, Renato Sérgio de Lima, destacou a necessidade de maior articulação entre a Polícia Federal e o Coaf para fortalecer as investigações contra o crime organizado. "Precisamos resolver o gargalo que há entre a Polícia Federal e o Coaf, para que haja produção de provas válidas", afirmou.
"PIB do crime" e principais atividades ilegais
A análise do FBSP apontou que o "PIB do crime organizado" no Brasil chegou a R$ 350 bilhões em 2022. Além da produção de bebidas falsificadas, as principais atividades do crime organizado incluem a fabricação de cigarros ilegais, extração de ouro, produção de combustíveis e lubrificantes, tráfico de cocaína e crimes patrimoniais, como roubos de celulares e fraudes digitais.
A produção ilegal de combustíveis e lubrificantes gerou a maior receita, alcançando R$ 61,5 bilhões. A estimativa foi feita com base nos dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que aponta que 8,7% do mercado de combustíveis opera de forma clandestina. Grande parte do abastecimento dessa atividade seria proveniente da Venezuela, país com a maior reserva de petróleo do mundo.
A venda e o refino ilegal de combustíveis estão associados a crimes ambientais, pois o combustível é usado em maquinários que promovem o desmatamento e o garimpo ilegal, além de abastecer veículos envolvidos no transporte de drogas e mercadorias contrabandeadas.
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