• Folha de Jaraguá

Apae de Pirenópolis tenta arrecadar dinheiro para não fechar as portas


De acordo com Cristiane Lima do Jornal O Popular, a queda na quantidade de arrecadações e de doações para a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Pirenópolis fez com que a direção da unidade anunciasse o fechamento de suas portas nos próximos meses. Com custo mensal de R$ 8 mil e sem ter condições de arcar esse valor, os gestores lamentam ter que deixar de atender cerca de 40 crianças e adolescentes. Uma campanha para buscar colaboradores é a última tentativa da administração. “Se não conseguirmos adesão, infelizmente não teremos outra opção a não ser fechar as portas”, diz o presidente da entidade, Gentil Godinho.

Godinho afirma que a situação vem se complicando há cerca de três anos, quando ocorreram mudanças de repasses de valores por parte do Poder Judiciário. Com a mudança de regras e a criação de um “banco social”, ocorrida no segundo semestre deste ano, várias entidades passaram a poder se cadastrar para ser beneficiada. A Apae, que até então era contemplada com recurso suficiente para se manter e ainda guardar uma reserva, teve que mudar seus métodos de trabalho. Desde que os recursos minguaram, a entidade passou a usar a reserva para se manter, mas esta quantia só é suficiente para custear as contas até janeiro.

Artistas e empresários da região realizaram atividades para arrecadação de dinheiro para a Apae nos últimos meses, mas como são doações esporádicas, não se pode contar com elas para cumprimento de obrigações, segundo explica o presidente. “Por isso elaboramos essa campanha em parceria com a Prefeitura e outros parceiros. Queremos pedir ajuda da população, não só de Pirenópolis, para nos ajudar a manter as portas abertas e nossos atendimentos que fazem tanta diferença na vida dessas pessoas que precisam de atendimento especial e especializado”, reforça.

A coordenadora da Apae Pirenópolis, Andrea Lie Korosue, diz que o local mantém despesa mensal de R$ 8 mil para pagamento de contas básicas, como energia e água, e de salários de três profissionais, além do dela. São uma psicóloga, uma fisioterapeuta e uma fonoaudióloga. Ela explica que os outros funcionários: uma psicopedagoga, uma secretária, uma faxineira e um motorista, têm seus salários bancados pela Prefeitura, assim como também é responsável pela manutenção e pelo abastecimento do veículo que leva e busca os atendidos em casa.

Andrea diz que os impostos de licenciamento do veículo estão atrasados e que não há previsão para serem quitados, o que fez com que a conta fosse parar na dívida ativa do Estado. “Nossa meta é trabalhar para manter as portas abertas e para isso contamos com a adesão do maior número possível de pessoas na nossa campanha. Estamos pedindo adesão na campanha Adote a Apae Pirenópolis com uma ajuda mensal de 50 reais. Serão enviados boletos para pagamento mensal. Para muitos, pode ser pouco, mas para a Apae Pirenópolis faz toda a diferença”, diz a coordenadora.

Mãe de uma criança especial, Kellen Alessandra Modesto Oliveira, de 43 anos, diz que os serviços prestados pela Apae de Pirenópolis são fundamentais para o desenvolvimento do filho, que tem 11 anos. “As meninas que trabalham lá são muito boas, dedicadas e cuidadosas. É muito bom ter esse tipo de acompanhamento sem custo, ainda mais para quem mora em uma cidade do interior, que não tem tanto recurso quanto em uma capital. Pra gente, a Apae é mais do que um lugar de atendimento profissional. Temos amigos ali”, diz.

Kellen afirma que não teria condição de custear do próprio bolso os tratamentos para o filho, caso a Apae de Pirenópolis feche as portas. “Meu filho tem síndrome de down e tenho certeza de que todo o desenvolvimento dele é por causa desse atendimento. Nem sei quanto ficaria se eu fosse pagar por tudo que fazemos ali, com psicólogas, fonoaudiólogas, psicopedagogas. Ele é acompanhado desde os quatro meses de vida e tenho certeza de que esse local é importante para muitas outras famílias, além da minha”, ressalta.

Stênia da Luz Mariado também tem uma filha que recebe atendimento na Apae de Pirenópolis. “Eu sou muito grata ao atendimento que minha filha recebe na Apae. Ela tem paralisia cerebral e não pagamos nada pelo acompanhamento com a fisioterapeuta e com a fonoaudióloga”. A filha de Stênia tem dois anos e é assistida pelas profissionais da Apae desde que tinha oito meses de vida. “Não sei o que seria da gente sem esse atendimento, que é gratuito e muito importante pra a evolução da minha filha”, diz.

Ela reforça que, apesar de pensar em trabalhar fora para poder pagar pelo atendimento, ou até mesmo em colaborar com a Apae, Stênia diz que não consegue. “Só quem tem uma pessoa especial, dependente da gente pra tudo, como é o meu caso, sabe da importância de ter profissionais ajudando, ainda mais sem custo pra gente. Eu torço muito para que as pessoas se sensibilizem com isso, que se interessem em ajudar para manter as portas desse lugar abertas”, enfatiza.

  • Facebook Social Icon
  • Twitter Social Icon
  • YouTube Social  Icon
  • Instagram Social Icon
Campanha-covid-saude-estado01.gif
GIF-JARAGUA-ATUALIZADO.gif
petro-arabe2-17-8.gif
PATROCÍNIOS

By R2 Soft - © 2016 Folha de Jaraguá